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domingo, 9 de novembro de 2014

Tântrico...

Sem demora enamoro-me de ti.
Se demoras me rasgo em solidão...
Se tu moras aqui nesse meu peito
e namoras meu eu... Eis-me aos teus pés!

Se te canto o meu canto é profissão
dessa fé nos instantes que vivi.
Tu me encantas e contra algum revés
desencanta a tristeza, és desse jeito!

Teu olor é de flor, verde aloés
teu olhar me desnuda e eu aceito
Teu sabor, gosto bom, quando senti
me perdi, me entreguei para a paixão...

Tuas tíbias em "v", mundo perfeito!
Que revelam os tons ditos pastéis
atraindo o meu eu sem compaixão
e eu não quero parar, já me perdi...

Ronaldo Rhusso

terça-feira, 24 de junho de 2014

Ambos...




Sozinhos ele e eu damos o tempo;
se é tempo eficaz nós não sabemos.
Singramos mares novos, nada calmos...
É duro ser poeta em tempestade...
Maldade sem a trégua necessária.
E nós, o bardo e eu, sentimos muito...

Não é que não gostemos desse frio,
mas tem que ser assim algoz da alma?

Pergunto para o bardo: “ - Não te importas
com essa dor que pesa e tira o fôlego”?

Mas ele se derrama em versos tontos!
Inebriados, trêmulos e pobres...

Talvez eu seja fraco e sinta mais
que o bardo em mim, meu par nessa jornada...

Ronaldo Rhusso

terça-feira, 14 de agosto de 2012

RENDAM-SE TERRÁQUEOS!


Quando as pessoas dizem: “Deus te ouça”!
O que estarão querendo, enfim, dizer?
Que Deus não ouve tudo o que dizemos?
Ou que Ele ouve apenas o que quer?

E quando dizem alto: “Hei, vá com Deus”?
É algo automático e eu me espanto
Porque, sendo Ele Deus onipresente,
Não vai a parte alguma: JÁ ESTÁ!

Ah! Leila, tu és mente conturbada
E tens razão em ser tão intrigante!
Teu alimento é pura indagação
E nele não terás tuas respostas.

Ateus são seres lindos! São bonecos
Manuseados por alguém ruim
Que se deleita em tanta confusão!
“Ele perdeu o brilho e quer o teu”!

Eu vejo as densas trevas nesse mundo
E não me assusto mais. Eis o perigo!
Enquanto Ele não volta o “plano trevas”
Vai sendo executado por miríades!

Quem quer viver só essa vida parca?
Quem quer a existência tão pequena?
As cirurgias puxam as pelancas,
Mas tiram partes de outra parte apenas...
A terra é tão faminta por incrédulos!
Enquanto Ele não volta é rumo certo...

Se tu não podes crer num Livro Antigo
Ou te alimentas só de fantasias
Que caem das mesas desses que morreram
E não provaram nada, só o Mal,
Tens um problema sério de audição,
Porque não ouves  sons dos dias findos
E nem vês todos esses maus sinais.
É pena, pois ecoam pelos prados
E estão a olhos nus pra quem quer ver...

Replicam a Mensagem: “Eis chega a hora!
Eis que Ele volta! Rendam-se terráqueos”!
Lamentar será tarde é o meu aviso.

Ronaldo Rhusso



domingo, 15 de julho de 2012

Louvor!

E por falar em D’us, eis um poema
que vem num aflorar puro e sincero
engrandecer Seu nome porque quero
anunciar que ainda que me trema
a Terra sob mim, grande problema,
eu hei de confiar em Seu socorro
em vales frios por onde, enfim, percorro
porque me resgatou – e de mim mesmo –
que andava por aí, de fato, a esmo
de modo que é dEle que decorro.

Ronaldo Rhusso



domingo, 13 de maio de 2012

Que coisa!

Mistérios são silêncios no pensar
do humano, ser que dista do comum;
nos fazem cavilar, mas em nenhum
lugar se chega e o jeito é aceitar.

Amor só os que têm por si pra dar
e assim é a Régia Lei nada incomum
que molda sem deixar de fora algum
dos Dez preceitos, todos a ensinar!

Às vezes eu me pego encabulado
ao ver que esses mistérios no arredio
do ser que há em mim cobrem vazio.

Contudo o que me deixa extasiado
é nunca compreender esse recado
de quem me tem saudade e nem me viu...

Ronaldo Rhusso

quarta-feira, 28 de março de 2012




Sei que tu vens aqui e é muito bom!
É tão interessante descobrir
Que textos meus em ti podem imprimir
Deleite: Linda forma e lindo tom...
Mas diz o que tu sentes quando lê
Meus devaneios, algo tão comum?
Vai ver dos tais poetas sou mais um
Que traz raio do Sol para quem crê
Que verso assaz gentil perfuma o dia!
Teu visitar me faz cuidar que a Lua
É quem empresta ao Sol beleza sua...

Ronaldo Rhusso

quarta-feira, 21 de março de 2012

Elegia...





I

A dor que me devora a alma, tudo...
É nada se comparo à estultícia
Do dar-se a emergir na imperícia
Que só o relembrar me deixa mudo...

*******************************

Esforço-me a buscar por um escudo...
Fingir que o pesadelo é uma delícia,
Mas minha mente não tem a malícia
E em versos tristes logo me desnudo...

Oh! D´us por que não cresço e me controlo?
Por que me deixo agir como um vil tolo?
É certo que agi mal e com dolo!

O Mal é lama e, nele, a alma atolo.
Se vem qual precipício dele rolo
E nem o arrepender me traz consolo...

II

Navego em mar bravio e, sei, sem rumo.
Sou nau sem cais por livre e própria escolha
E sinto-me quedar-me como folha
Sem vida e a mim mesmo, podre, estrumo.

Preciso vigiar ou me acostumo
A não poupar, sequer, última bolha
De ar e obrigar que meu ser colha
A morte, em vida inútil e sem prumo.

Espero que a metade que há em mim
Suporte ainda mais esse meu erro
Que a arrasta rudemente ao vil desterro!

Decerto isso é mau e intento o fim
Pra esse existir que é sim ruim,
E que carece urgente de um enterro.

III

Deixei-te, ó cidade que me amou!
Mas vou voltar porque D´us é fiel
E quando quer salvar delega ao céu
Dizendo: “Raios, Meu filho clamou”!

Então Raios alados dos quais sou
Leal cooperador me trazem mel
Delindo esse sabor de amargo fel
Que em meu palato véu se alojou.

É tudo uma questão de certa espera
Porque fui eu, de fato, que escolhi
A prova amarga que me assola aqui.

A gente quebra e D´us, sim, recupera
E logo que vencida essa fera
Retorno rindo, linda, para ti.


sábado, 10 de dezembro de 2011









E T de mim...

Ela não sabe a dor que tenho em mim...
Como entender alguém na tela fria?
Sei, sou, de fato, um raio em Poesia

E isso é tudo ou nada ou pouco, enfim...

Não sou metade dessa fama assim
Tão degradante ao ser que sou. Diria:
Tudo não passa, ao certo, de magia
Onde as palavras, cúmplices, são o fim...

Quando eu morrer serei logo esquecido
Não porque eu tenha feito quase nada
Ou por não ter mudado de estrada.

Será por causa desse mal sentido;
Desse ser tanto sem jamais ter sido
Ou por ter vindo à Terra em hora errada...


Ronaldo Rhusso

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

MÓRBIDO - Com Marcos Loures








Eu sei que meu caminho está no fim,
Por isso é que despejo este soneto
São versos que ao vazio, eu arremeto,
Tentando alguma flor; pobre jardim.

A morte me rondando, diz que sim,
Os erros tão freqüentes que cometo,
No fundo, estou sem tempo, mas prometo,
Em pouco tempo acaba tudo, enfim...

Houvesse alguma chance de sonhar,
Vagar por mil estrelas; nebulosas,
As horas tão sutis e melindrosas,

Numa esperança sólida embarcar...
Mas sei que no final não serei nada,
A carne apodrecida e destroçada...

Marcos Loures

Também eu já me encontro na beirada
Do limiar que faz separação
Entre o viver sofrido e a desgraçada
Da morte que me quer plantar no chão.

Ainda assim eu nem lamento nada!
Vivi intensamente e com paixão!
Também achei de dar muita mancada,
Mas quer saber? Eu me arrependo, não.

Sorvi mulheres lindas, paraísos!
Até chapei pra ver o céu girar!
Se a morte me quiser pode levar!

Eu traço ela, também, garanto em risos,
Pois sei que ela é mulher e se tem guizos,
Serpente mal comida, eu vou domar!

Ronaldo Rhusso


Não temo esta maldita, mas procuro
Vencer os meus anseios naturais,
E o quanto nestes versos demonstrais
Traduz um solo fértil, porém duro...

Por mais que inda pareça mais seguro
O fim adentra a sala e nos vitrais
Presumo os erros tantos, funerais,
De quem neste cenário- a paz- conjuro.

Mas sei que na verdade de tal forma
O quanto pouco a pouco me transforma
Expressará num ato mais voraz,

Num etéreo vagar, renascimento,
Uma esperança além, busco e fomento,
E eternidade da alma, o vento traz...

Marcos Loures

Temer pra que se o fim é virar pó?
Querido, ela liberta e a foice é bela!
Só sei dizer que tu não estás só;
Eu transporei, também, essa janela.

Estou tranquilo e sei cantar em dó
Uma canção que fiz pr’essa magrela.
Serei pesado como a pedra mó
E afundarei o corpo e a foice dela!

Eternidade já começa agora
E até me sinto bem, com dor e tudo!
Eu sou poeta e não vou ficar mudo!

A poesia fica e em cada aurora
Renascerá enquanto a noite chora.
Sonetos eternizam... Nosso escudo!

Ronaldo Rhusso

Embora muitas vezes em meu olhar
Reluza esta esperança em brilho farto,
O sonho mais audaz jamais descarto
E sei do quanto é justo mergulhar,

E o tempo após o tempo a revelar
Cada palavra como fosse um parto,
Porém na solidão do velho quarto,
Às vezes é difícil o imaginar,

Porém quando renasce dentro da alma
A força que sublime vem e acalma
Trazendo a divindade mais sublime,

O passo se tornando bem mais firme,
E tendo esta certeza que redime,
A viga a cada dia se confirme.

Marcos Loures

A esperança é linda se decorre
Da fé que alimenta essa aliada
Que dizem ser a última que morre,
Mas se ela morre já não resta nada.

Contudo eu sou teimoso, sou um porre
De ilusão, quimeras, camarada!
Sou um guerreiro e sou o que não corre
De desafios. Topo essa parada!

A gente, então combina, de repente,
Quem for primeiro para o Paraíso
Aguarda o outro na porta c’um sorriso!

Assim eu nem lhe peço “vá na frente”,
Pois com teus avalanches és latente
E tens que ficar mais. Sincero eu friso!

Ronaldo Rhusso


Em consonância a vida prosseguindo
Na nova etapa além que se produza,
Do brilho que deveras nos conduza
Ao Paraíso etéreo, raro e lindo,

Aos poucos nas palavras vou fluindo
Usando ou abusando de uma Musa,
Que possa na verdade ser confusa,
Ou mesmo num anseio quase infindo,

Não há decerto o quanto mais temer,
É necessário em luz se esvaecer
E transcender à própria persistência

Que possa nos trazer em dimensão
Diversa a mais completa sensação
Do eterno caminhar em rara essência.

Marcos Loures

De fato essa é a idéia que sustento:
O eterno caminhar em rara essência!
Porque somos tão fortes que o lamento
Deixamos para a prole em decadência!

Nosso rimar conciso tem fomento
Em cada Musa nobre ou não. Paciência!
Confesso que às vezes as invento
Será isso princípio de demência?

Se for morrerei louco e feliz!
E essa é uma grande sensação:
Morrer desnudo de toda a razão!

“Aqui jaz outro louco, outro aprendiz
Que deu à vida um novo e bel’ matiz”
É o que na minha pedra escreverão.

Ronaldo Rhusso

A vida se refaz e nisto vejo
Além do quanto seja mais palpável,
O sonho se fazendo sempre arável
Traduz em plenitude este desejo,

Do mundo aonde trace em azulejo
O canto que se trame incomparável,
E nisto nosso verso imensurável
Reflita muito além de algum lampejo,

Em epitáfio traçaremos luzes
E mesmo quando se aproximem urzes
Os passos seguem sempre mais audazes,

E quando não restar sequer o pó,
Nos versos e delírios, jamais só,
Co’alento que deveras tu me trazes.

Marcos Loures


O pó ao vento vai ser relegado
E muitos dele, sei, aspirarão.
Algum deles há de, muito inspirado,
Continuar com zelo essa Missão!

E a morte perderá, pois é seu fado!
Ela não pode ir na contramão
Desse caminho que temos traçado
Com gana, com amor e com paixão!

Contribuímos para um mundo novo
Com clássica maneira de expressar
A mais perfeita forma de rimar.

Alguém em meio a todo esse povo
Entenderá: Soneto é um renovo
E o tempo a ele não vai apagar!

Ronaldo Rhusso


Por mais que tentem mesmo relegar
Ao mais ínfimo plano a poesia,
A vida se renova e a cada dia,
Num cíclico caminho a se mostrar,

E assim, porquanto possa em nobre altar,
O tanto que por certo moldaria
A face mais sutil da fantasia,
O verso nos impele a caminhar.

E assim, numa semente germinada,
Aonde se imagina houvera nada,
Uma eclosão de luz se faz presente,

E mesmo quando em ossos resumido,
O canto, ainda assim será ouvido,
E a morte sendo morta, plenamente...

Marcos Loures


O destino da morte é ir pro “sal”!
Ela não vai durar, garanto, amigo!
A Poesia sim é eternal
E para mentes nobres, doce abrigo!

És um Quixote ímpar, sem igual
E nesse versejar, trazes perigo
A todos que persistem no ideal
De não rimar, dizendo: “não consigo”!

Essa modernidade é até bem vinda,
Mas que nunca nos falte c’o respeito
Porque de fato é duro e tolo pleito!

Não querer aprender à mente blinda
E torna essa ignorância a sina infinda
Abrindo para a morte o farto peito.

Ronaldo Rhusso


Em nome do que seja modernismo,
Soneto se destroça, rudemente,
E o que deveras vejo e em dor se sente
No fim se apresentando em cataclismo,

Mesmo Drummond, Bandeira, sem cinismo,
Seguiram velhas regras, claramente,
Quintana também mostra este evidente
Caminho sem o qual, volátil, cismo.

Porém os ditos neo-sonetistas
Que aqui, ali, além; aquém avistas,
Num sintoma cruel de incompetência

Ou mesmo de preguiça, não sei bem,
Milagres no vazio sempre vêm
E, pior, nunca admitem a evidência.

Marcos Loures


Não liga! São somente uns coitados
Que tentam percorrer nosso caminho
Sem atentar que são desafinados
Mas precisamos dar-lhes um carinho...

Que não se sintam, eles, rejeitados!
O poço onde bebemos é pertinho
E lá, eis, poderão ser saciados
Ou afundarem em vão “talentinho”!


Querer não é poder, disso sabemos.
Mas tem quem não consiga crer, que pena!
Será que têm a alma tão pequena?

Vai ver só loucos creem no que cremos.
Se for verdade, amigo, o que faremos?
Derramaremos mais poesia plena!

Ronaldo Rhusso



É como respirar, tu sabes bem,
A poesia doma e a gente segue,
E a vida de tal forma assim prossegue
Ainda quando a sorte amarga vem,

Poreja em cada verso, o que contém,
E na alma este cenário além navegue
E mesmo que decerto o brilho cegue,
Na luz o quanto sei e nos convém,

Ousar acreditar e ser feliz,
Ao tatearmos tudo o quanto possa
Trazer esta certeza viva e nossa,

Do mundo que nos sonhos, tanto quis,
Sendo inerente a voz em consonância
Espero que traduza ressonância.

Marcos Loures


A ressonância eu já ouço, feliz!
À consonância que nos une em versos
A própria natureza pede bis,
Pois sente-nos, em recriar, imersos.

Mesmo que fôssemos assaz dispersos
Num rabiscar a vida toda em giz
Assim qual fiz em versos, que, inversos
Mostra o Soneto em um outro matiz!

Percebo o desagrado intolerante
Do tipo que jamais eu percebi
como se eu fosse tolo, mas me ri!

Amigo é sempre bom e estonteante
Compor contigo e espero doravante
Continuarmos. Hoje encerro aqui!

Ronaldo Rhusso