sábado, 11 de fevereiro de 2023

Dopamina: A Molécula do Desejo

Resenha — Dopamina, a molécula do desejo

O livro Dopamina, a molécula do desejo, de Daniel Z. Lieberman e Michael E. Long, procura explicar, de maneira acessível, como uma substância presente em nosso cérebro influencia profundamente aquilo que desejamos, buscamos e fazemos. Mais do que apresentar a dopamina apenas como a “molécula do prazer”, os autores mostram que ela está muito mais ligada ao desejo, à expectativa e à busca por algo que ainda não temos.

Ao longo da obra, Lieberman e Long explicam que a dopamina participa de uma espécie de sistema de motivação. Quando imaginamos uma recompensa futura, nosso cérebro pode aumentar a atividade dopaminérgica, fazendo com que aquela coisa pareça ainda mais atraente. É por isso que muitas vezes sentimos uma enorme vontade de comprar algo, comer determinado alimento, conquistar alguém, ganhar dinheiro ou alcançar uma posição melhor, mesmo antes de sabermos se aquilo realmente nos fará felizes. A dopamina nos impulsiona a procurar, conquistar e experimentar.

Um dos pontos mais interessantes do livro é justamente a diferença entre querer e gostar. Podemos desejar intensamente alguma coisa e, depois de consegui-la, perceber que a satisfação não foi tão grande quanto imaginávamos. Isso ajuda a entender comportamentos comuns do cotidiano, como passar horas nas redes sociais, fazer compras desnecessárias ou continuar procurando novidades mesmo quando já temos o suficiente. O cérebro parece estar sempre perguntando: “E agora, o que vem depois?”.

Os autores também relacionam a dopamina à criatividade, ao progresso humano e à capacidade de imaginar o futuro. O mesmo mecanismo que pode contribuir para vícios e excessos também foi importante para que os seres humanos planejassem, inventassem, explorassem novos lugares e construíssem sociedades. Em outras palavras, o desejo não é necessariamente algo ruim. Sem ele, talvez tivéssemos muito menos iniciativa para mudar nossa própria realidade.

Entretanto, o livro também chama atenção para os problemas de uma vida dominada pela busca constante de recompensas. A sociedade moderna oferece estímulos praticamente ilimitados: publicidade, internet, jogos, comida, compras e entretenimento estão disponíveis o tempo inteiro. Com isso, podemos ficar presos em um ciclo no qual estamos sempre querendo alguma coisa nova e temos dificuldade para apreciar aquilo que já conquistamos.

A leitura de Dopamina, a molécula do desejo é interessante porque transforma um assunto científico em uma reflexão sobre o comportamento humano. O livro nos faz perceber que muitos de nossos desejos não surgem simplesmente de decisões conscientes. Existe por trás deles um cérebro preparado para buscar novidades, recompensas e possibilidades.

No fim, a principal contribuição da obra está em mostrar que entender nossos desejos pode nos ajudar a controlá-los melhor. A dopamina é fundamental para nossa motivação e para a própria evolução humana, mas não deve ser confundida com felicidade. Saber diferenciar aquilo que desejamos daquilo que realmente nos traz satisfação pode ser um passo importante para viver de maneira mais consciente e equilibrada.

 

Saudade...


 

quinta-feira, 29 de setembro de 2022

E os doces?

 Esse costume de "correr atrás de doces" de São Cosme e São Damião foi um marco na minha infância.

Meu preferido era o "suspiro". Eu juntava um montão e comia bem devagar para não acabar logo.
Uma tia minha morava na Penha em frente ao Parque Ari Barroso, onde eu gostava de brincar.
Tinha um pessoal que fazia uma espécie de tapete de balas "juquinha" no gramado. Era do santo, diziam...
Como eu sabia que o santo, para ser santo, deveria ser gente boa, catava tudo.
Tirava a camisa, dava nós nas mangas e fechava a gola... Virava uma sacola, onde eu enchia de balas.
Minha mãe, quando me via rico daquelas balinhas gostosas, gritava:
- Menino, diacho! Não pode pegar porque é do santo!
Ali em frente ao Museu que incendiaram para roubar umas peças únicas e raras, na Quinta da Boa Vista, a galera fazia tapetes enormes de balas de tamarindo!
Eram azedinhas e eu ficava com a boca ardendo de tanta afta!
Alguém dizia:
- Tá vendo? Foi o santo!
Um dia, quando em um dos turnos eu estudava no Colégio Atlas, fui fazer um trabalho escolar na casa de um coleguinha num morro e, quando estava descendo pra Botafogo, vi uma galera mirim correndo para pegar doces e os segui por aquelas vielas sem fim.
A mulher estava entregando os saquinhos através do muro.
Subi rápido com minhas pernas de garça e ganhei o meu!
Comi logo aquela geleia gostosona, as marias moles e os suspiros. As balas, bananadas e "drops" eu deixava para depois.
Vi que um guri menor não conseguia subir no muro e eu subi outra vez para puxá-lo. Tinha que ser rápido porque as centenas de saquinhos acabavam logo!
Ele conseguiu um e a mulher veio me dar outro, mas eu disse: Moça! Eu já ganhei.
Ela sorriu e disse:
- Pode pegar outro e nunca deixe de ser honesto.
Voltei feliz para o local combinado onde a minha mãe iria me buscar para voltar pra casa e nunca esqueci a frase daquela moça bonita vestida de branco e com um monte de colares no pescoço...
"Nunca deixe de ser honesto"!
Hoje demonizaram esse Costume lindo e o "santo" aconselha aos gritos:
"Sonegue tudo o que puder"!
Outros "santos" adoram o "santo sonegador e perpetuador de centenas de crimes"...
Que diferença daquela moça com um sorrisão, tipo o Sol, me falando com carinho:
"Nunca deixe de ser honesto"...
Por isso eu, se estiver vivo, vou votar 13.
Eu opto sempre pelo amor!
Pela honestidade e carinho pelo meu povo.
Votar 13 é pegar pela mão os menores, ignorantes, que não conseguem alcançar a importância do doce para todos...

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

⁠A Lâmina de Petélia

 do tal orfismo real

ao lado do meu cipreste
que, alvo, me transpariza
e faz-se Manancial
do qual não bebo, sou puro,
nem sei fazer sacanagem
sem ter temor e vergonha
de ver do lado do muro
o escuro vão da blindagem...
Vendi barata a canção
queria comprar maria
e o crápula me dizia:
teu nome vai ficar lá.
Bebi da Fonte que, fresca,
até me deu novo alento
e mesmo assim me matou
de tanto horror e tormento
bem mais que antigos dragões,
dos quais meu ser se entocou.
Não eram bons guardiões
pra mim rebento da Terra
e desse céu que me encerra
a mente, assaz, estrelada
a boca tão ressequida,
a vida quase sem brida
e sede maior que a vida
a toa, a troco de nada...
Morreram junto a memória